Sunday, November 6, 2011

Despedida I - Caruaru

Mããããããããe?
MÃÃÃÃÃÃÃÃE!!!!!!!!!!!!!!!
Fostes digitalmente retocada!
Pintaram teus cabelos de preto, alisaram e no "cucuruto", como dizias, deixaram um tom fubento/desbotado. Que Horror!  E este vestido tétrico?! Preto com um riscos cinzas. Nem no batom acertaram: alaranjado pálido. O pescoço então? Nada vou dizer por respeito.
WTF!
Ah.... deixaram teus olhos tristes da mesma forma como eu me lembro deles. Olhos que se iluminaram um dia quando vistes a Estação Primeira de Mangueira começar a desfilar. Acho que o desfile nem ainda era na Sapucai. Até hoje meu olhos se enchem de fumaça quando a Verde e Rosa aparece. Aliás não te incomodes com tanta fumaça nos meus olhos. Tomo aqui emprestado a metáfora da canção "Smoke Gets in Your Eyes".... Quando a chama do amor morre, a fumaça chega até teus olhos. Só substituo aqui a palavara AMOR... por ALGUÉM AMADO e, em vez de MORRE, uso "SE VAI". Essa fumaça líquida é normal, não seguro mais.
Erraram na data do teu falecimento. Eu e  minha memória para datas e números. Só agora percebo que também nisso minha vida é parecida coma tua. Alteraram a data do teu nascimento e erraram na do teu falcimento. Como poderia esquecer que foi no dia 6 de Agosto de 2006 e não no dia 7?
Vês, te trouxe flores.Não são lindas? Lilás com o centro amarelo(queira que fossem amarelas mas nâo gostei do matiz de nenhum dos dois tipos que vi. Um muito pálido o outro muito exagerado)  Eu tenho o espírito Lilás. Bem, sabes já disto. E que bom que já há um jarro e com terra. As hastes são muito altas para o tamanho do jarro, porém como muitas delas vieram com a raiz não vou me incomodar com a proporcionalidade. A estética será ignorada e quem sabe elas pegam e terás flores  por mais tempo? Desta vez não são amarelas... e olha só que surpresa para mim, há duas que são vermelhas!
Lembras-te de quando eu tinha treze anos e ouvi de ti que não fosse mais à casa onde vivias com teu segundo marido por ser muito parecido com meu pai? Como aquilo doeu. A tua razão eu entendi anos mais tarde, as dele não. O que aconteceu foi  terrível, mas por que eu? Eu te visitava porque sentia saudades. O que tu ainda não sabes é que às vezes era difícil conseguir o dinheiro da passagem. Pelo trem ainda da para passar por de baixo da roleta, mas no ônibus não tinha outro jeito senão pagar. Não te contávamos nada, pois eu e Gerva aprendemos desde cedo a não levar nem trazer. Calar era a saída.
Obedeci e acho que te esquecestes ou não sei o que aconteceu e comecei a receber recados que diziam estares com saudade e por que eu não tinha aparecido mais. Claro que ficava alegre com isso, mas pensei muito bem antes de voltar à casa de Engenheiro Pedreira. Neste dia em que decidi ir, a resposta ao pedido de dinheiro para a  passagem foi não e tomei emprestado e fui. Paguei com o que me destes ao voltar no Domingo. Ao chegar, antes de abri o portão fiquei por um bom tempo esperando. Vi as plantas como estavam crescidas. Meu coração batia acelerado
Hoje sou eu que venho te dizer que não venho mais aqui na tua última morada: Quadra E, Lote V, número 646. Já armazenei e sei que não mais esquecerei.
Não venho porque aqui não estás.Ficaram teus ossos apenas e bem sabes como sou com rituais.Além do mais não hpa aqui pneuma ou anima ou o sopro que te fazia viva. Como te disse eu entendi e por tudo que  aconteceu não fiquei com mágoa. Eu te amo e já te repeti muitas vezes isso. Vim me despedir , pois estava eu numa exposição de artezanato no Centro de Convenções de Olinda (FENEARTE) e caminhando entre os espaços reservados ao municípios,o vi  o de Pesqueira. Olho um pouco mais para baixo e Havia um vestido de Renascença. Não contive minnhas lágrimas. Percebi que era preciso mais que a cerimônia coms as rosas amarelas, feita lé em Las Vegas.
Te fostes num Domingo. Eu estava de folga, Guillermo também.... Foi ele que recebeu a ligação de Gervásia Creontina. Eu ouvia música no sofá e ele estava no computador. Ele me chama na varanda e me dá a notícia. Fumaça imdiata chegaram aos meus olhos. Era início de tarde. Liquei para Miami e mais fumaceiro. Eu e Gerva. Não daria tempo de chegar em tempo para o enterro. Dormia e acordava e só parava de chorar quando as lágrimas secavam.
Foi dele a idéia de comprar flores e celebrar tua vida. No caminho  falei com Isanias pela segunda vez e pelo telefone ouvi que entoavam hinos. Tu sabes que minha intenção era de comprar rosas vermelhas, mas estavam tão feias, que desisti.Havia um molho com rosas amarelas perfeitas.
Em amarelo cheguei em casa e no jarro mais bonito que tinha te disse mais uma vez, EU TE AMO e arranjamos as rosas e como ficou bonito o arranjo. Duraram mais que o normal. Fui trabalhar na segunda. Não tinha como ficar em casa!.
Sabes do que mais sinto falta? De ser acordado por ti no meu aniversário, de não poder mais sentir teu cheiro ao te abraçar bem forte, de te beijar o rosto. e da crteza de que isso nunca mais acontecerá.
Sabes o que me consola? As lembranças... Da tua casa, sempre com Antúrios, Costelas de Adão, Rosas, Pimenteiras, Galinhas que sempre que eu visitava ou estavam "chocas" ou com pintinhos. A coleção de Maysa na estante, Nelson Gonçalves, a Marrom.... que sempre aos Domingos ouvias. Assisti com minha amiga Keyla, a série que fizeram sobre vida de Maysa e lembrei de ti.
Embora muito do que sei de ti é por intuição e muito não foi confirmado, acho que nunca deixastes de amar meu pai. Digo que é por intuição, pois quando começastes a sangrar e ainda não sabíamos o que era, fomos eu e "Bronquita" para Caruaru... Tu com a mania de esconder as enfermidades, mas desta vez eu estava bem atento. Fostes ao banheiro e eu fiquei na espreita. Chamei Bronquita e ela balançou a cabeça, bateu na porta do banheiro e eu corri para chamar Luiz Carlos e te levamos para o hospital. Lá, Gerva e Bronquita estavam petrificadas. Eu segurei na tua mão, pois sabia que tua vida passava em tua frente. Mais tarde me confirmaste. Segurar tua mão foi para te dizer que estávamos ali. Acho que te asssustaste, pois realmente fostes a João Pessoa e ficastes lá em casa. Que alegria era de ter ali. Claro que acrescida de uma preocupação por saber que em minha ausência algo inconveniente poderia acontecer.
Que alívio quando tivemos acerteza que eram pólipos e benigmos e muito comuns para tua idade.
Outro dia fomos jantar na Casa de Luiz Carlos e teu nome foi mencionado. Ele elogiou tua comida, Anna Helena mencionou o arroz e eu disse... Outras coisas que tenho que tentar imitar Ana Rita. Fazer arroz como ela fazia, vou tentar.
Até hoje tento reproduzir a tua Galinha Guisada. Já cheguei bem perto, muito perto, mas falta algo. Lembro-me do dia que fomos ao mercado perto de casa e escolhestes a ave e orestos do ingredientes. Ao chegarmos em casa, sentado na cozinha observei atentamente teu ritual. No Domingo seguinte tentei reproduzir. Na pia enquanto cozinhava eu fiz algo que nunca fazia: Acendi um cigarro e chacoalhei a panela de cima pra baixo e depois em círculos. como te vi fazer. Segui os mínimos detalhes, mas o resultado foi uma derrota unânime. Nem ligo, pois sei que embora perca para ti, estou muito próximo do sabor,
Hoje o que eu queria mesmo era comer uma sardinha frita como fazias, sim do tempo que morávamos ainda no Rio e chegavas em casa com elas enroladas em jornal. Melhor mudar de assunto senão vou me lembrar de mais coisas.
Ah também não voltei à tua casa. A última que levantastes com tuas mãos, mesmo sabendo que Isanias fez uma reforma. Não quero ir lá. Quero deixar na memória como era. A máquina de costura, ou mais tarde, as máquinas de costura e a de overlock. O masso de Continental, sempre com um isqueiro em cima e o cinzeiro ao lado.
Assim como guardo no coração, o tempo das vacas anoréxicas de nossa infância. Lembras-te de quando precisávamos de dinheiro extra e nós fazíamos cintos?. Íamos buscar na fábrica e o mais rápido era de o de "argola" e Funilão... Naquela semana pudemos farofar na praia.... Frango com farofa, frutas...e dinheiro mesmo só para a passagem e picolé.... Claro qua havia a recomendação de nos basearmos pelas sombrinhas.... Lembro do escorregão e da queda no ônibos e de quanto rimos. Uma curva apertada e lá foram ao chão Tu, Bronquita e Gerva.... E quado fazias das tuas, como ao te ajoelhares em plena padaria, implorando para que eu e Gerva parássemos de brigar. A prece funcionou, so que anos mais tarde. Realmente deixamos de brigar. E o picolé artificial de Morango. Estavas a caminho da casa de Broquita, calor em João Pessoa o picolé tentador.... Artificial de morango... Eu não posso comer aquilo, nem tu conseguistes. Mãe, tinhas umas frieiras nós pés e o tal picolé era intragável mesmo. Olhastes para os lados, tirastes o sapato e o picolé refrescou as frieiras que pararam de coçar. Veio o ônibus e seguistes na tua rota, só que com frieiras com sabor artificial de morango. Pararam de coçar!....
Te amo. Desculpa, fiz um pouco de lama ao regar as flores,, mas vou limpar com minhas mãos mesmo. pois bem sei o que achas de "pizunhados" e suas consequencias, mas já está limpo e brilhante como se eu tivesse aplicado cera Polyflor, tua favorita.
Agora Dona Ana Rita da Silva, antes que eu me vá. O que é isso que eu ouvi que tinhas um cigarro aceso numa mão e a máscara de oxigênio  na outra?????
desta vez não vou reduzir:
WHAT THE FUCK?

Beijos,
Te amo,
Teu Filho.


P.S. Obrigado pela carta que me mandaste quando te contei que era Gay. Foi a melhor reação que recebi da família. Está com Gerva, mas vou pedir de volta. Agora já posso reler... Pedirei também a foto do teu casamento com meu pai.


Horas mais tarde...
Ia sacar dinheiro para carregar o telefone e encontrei uma vendedora que vendia mudas de plantas. Comprei o primeiro pé de rosas amarelas. Vai comigo para a Charneca na próxima vez que for a João Pessoa......

1 comment:

Anonymous said...

Nao consegui ler esse 'post' de uma so vez. Chorava e isso impossibilitava a leitura. E engracado como todas as maes se parecem umas com as outras... Chorei muito pensando em minha mae, que se foi ha quase trinta anos, mas de quem ainda sinto falta.

Obrigado Newton por publicar esta linda carta.